sexta-feira, 29 de maio de 2020

Catimbó

Catimbó é um culto de práticas mágicas baseada na bricolagem da Pajelança Cabocla e do Catolicismo, em que apóia toda a sua doutrina religiosa. É considerado culto porque não possui elementos teológicos ou rituais estruturados para ser considerado religião.
No catimbó não há culto aos deuses africanos, tampouco a fundamentação das práticas são baseadas nos Cultos de Nação africanos, logo não o consideramos como fazendo parte das religiões afro-brasileiras.
Isto pode parecer polêmico, mas o Catimbó não é afro, não é Candomblé e não é a Umbanda (como se conhece comumente), mas é considerado por alguns como uma manifestação de Umbanda (eu não considero "Umbanda"). Ele pode até se parecer um
pouco com a Umbanda, mas nem um pouco com o Candomblé.
A semelhança com a Umbanda é devido ao trabalho com entidades incorporadas. Entretanto, os espíritos que incorporam no Catimbó são os Mestres e eles possuem uma teatralidade de incorporação muito típica e
discreta, longe da forma verificada na Umbanda. Outra coincidência é a presença da entidade Zé Pelintra, que no Catimbó é dito como Mestre; e, na Umbanda, sempre foi muito cultuado como Exu ou Baiano, mas já sendo entendido por muitos como "Mestre" (nos últimos anos).
O Catimbó não é nem melhor nem pior que os demais cultos ou religiões; não podemos dizer inclusive que suas entidades sejam de nível  superior ou inferior. Sob o ponto de vista espírita-kardecista são ainda
entidades de baixa energia e que guardam muitas referências com a última vida que tiveram quando encarnados. 
No Catimbó trabalha-se para o bem, para obtenção de curas, problemas sentimentais; mas também se trabalha para o mal, dependendo da cabeça de quem o dirige. É influenciado pela feitiçaria européia, de onde adotou várias práticas. É uma reunião alegre e festiva quando em sua forma de roda (ou gira). Porém, pela falta de corrente  doutrinária formal, vários formatos  serão encontrados, dependendo da “ciência”, vidência, maturidade e ética de
quem o dirige e realiza.
O Catimbó não está ligado aos Orixás africanos! Nele trabalham os Mestres, que foram  pessoas que viveram e, ao morrerem, se "encantaram". Geralmente, os Mestres são
ex-Catimbozeiros e por não terem ligação com os Orixás, não lhes fazem obediência hierárquica.
Catimbó não é Umbanda e se desenvolveu de forma paralela e independente, mas quando
há o encontro entre as duas práticas, o Catimbó passa a receber pessoas que se desenvolveram na Umbanda, logo os médiuns passam a receber entidades dos dois seguimentos, entre elas Caboclos e Exus. Mas o mesmo podemos considerar em relação à Umbanda, em que médiuns oriundos do Catimbó lhe influenciam.
De fato, existem algumas similaridades na forma entre um e outro, mas em nenhum
momento podemos dizer que são a mesma essência. Considerar o Catimbó uma forma de  Umbanda pode ser uma simplificação grosseira ou até mesmo um preconceito. O Catimbó é uma manifestação puramente Brasileira e totalmente desprovida de elementos africanos.
Todo o trabalho e força do Catimbó estão na fumaça e nas ervas, sendo o fumo, previamente preparado, a sua forma primária de trabalho. Não há trabalho que se "arria" no chão, pois sua magia "vai pelo ar", no "tempo" junto com sua fumaça. O Catimbó cultua o fumo e as ervas, mas também os símbolos e santos católicos e tem principal elemento a árvore da Jurema
e todos os Mestres tem um erva de fundamento. No Catimbó, São Pedro é São Pedro e não Xangô; Santo Antônio é Santo Antônio; Santa Terezinha é Santa Terezinha e assim por diante.
No sertão é o Catimbó quem influencia os cultos afros, pois a cultura indígena prevalece  e os elementos religiosos são reinterpretados sob a luz catimbozeira.



Bibliografia

PRANDI, Reginaldo. Encantaria Brasileira, 2004. 1º ed. Rio de Janeiro: Pallas.
ASSUNÇÃO, Luiz. O reino dos mestres: a tradição da jurema na umbanda nordestina, 2006. Rio de Janeiro: Pallas.
OLIVEIRA, José Henrique Motta de. Das Macumbas à Umbanda: uma análise histórica da construção de uma religião brasileira, 2008. 1º ed. Limeira, SP: Editora do Conhecimento.
RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil, 2005. 2º ed. São Paulo: Companhia das Letras.
http://www.xamanismo.com.br/Teia/SubTeia1192186946
http://pt.wikipedia.org/wiki/Povos_ind%C3%ADgenas_do_Brasil
http://www.tg3.com.br/indios/indios_brasileiros.htm












Matrizes da Umbanda - Herança Religiosa dos Povos Indígenas: Xamanismo e Pajelança


Xamanismo é como se chamam as práticas religiosas aborígines ao longo do mundo e
Pajelança é aplicado às manifestações religiosas xamânicas dos índios brasileiros. A pajelança é uma forma de magia nativa da Amazônia (principalmente), tipicamente indutiva, atuando sobre qualquer elemento
vivo e mantendo estreita relação com os demais reinos da natureza - mineral, vegetal e animal - e é praticada por curandeiros, os pajés. Pelas suas ações, o pajé tenta estabelecer contato com outras formas de existência através de comunicações com entidades sobrenaturais, procurando
restabelecer o equilíbrio perdido entre a natureza e a mente; esse processo envolve curas, exorcismos, e outros atos com objetivos diversos.
Porém, devemos saber que existem:

Pajelança Indígena – Rituais religiosos indígenas;

Pajelança Cabocla – Rituais religiosos não indígenas, mas originadas delas.

A Pajelança Indígena é restrita a uma minoria que ostenta os segredos e poções mágicas que rejuvenescem, curam, matam, provocam viagens astrais e outras grandes iniciações. Atualmente, existem poucos pajés desse tipo no Brasil e a presença da mulher é vedada.
Já a pajelança Cabocla envolve as várias formas de curandeirismo popular, principalmente as rezadeiras e benzedeiras, que trazem a origem nativa, além de estar
representadas em alguns rituais da Umbanda e podem conter também influências visíveis de  outras magias, seitas e crendices de povos diversos. É a pajelança com maior influência no Brasil, e suas benzedeiras e rezas utilizam ervas e rezas para tirar o "quebranto" e, na maioria das vezes, conseguem imbuir-se de dons que são inerentes aos pajés.
Um elemento indispensável na pajelança é o maracá, que é recebido ou confeccionado
durante a iniciação do pajé, sendo, portanto, sagrado para ele. Outro elemento fundamental é o tauari, uma espécie de charuto natural semi-oco que ajuda o pajé a defumar o local ou a pessoa em questão. O tauari, com sua fumaça cheirosa, objetiva imantar o ambiente e criar uma atmosfera toda especial, para facilitar os contatos que o pajé queira fazer. Além do uso do fumo e
do maracá, existem procedimentos utilizados pelos pajés, tais como mascar certos vegetais, cheirá-los ou até mesmo comê-los ou bebê-los. Essa situação varia muito de pajé para pajé, de trabalho para trabalho, dependendo do objetivo visado.
Geralmente, o pajé exerce uma influência muito grande sobre seu povo; sua figura está
para a tribo na mesma proporção em que o médico está para a comunidade. Isso faz com que sua importância e destaque assumam uma responsabilidade toda especial sobre os problemas que afligem seu grupo.




Bibliografia

PRANDI, Reginaldo. Encantaria Brasileira, 2004. 1º ed. Rio de Janeiro: Pallas.
ASSUNÇÃO, Luiz. O reino dos mestres: a tradição da jurema na umbanda nordestina, 2006. Rio de Janeiro: Pallas.
OLIVEIRA, José Henrique Motta de. Das Macumbas à Umbanda: uma análise histórica da construção de uma religião brasileira, 2008. 1º ed. Limeira, SP: Editora do Conhecimento.
RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil, 2005. 2º ed. São Paulo: Companhia das Letras.
http://www.xamanismo.com.br/Teia/SubTeia1192186946
http://pt.wikipedia.org/wiki/Povos_ind%C3%ADgenas_do_Brasil
http://www.tg3.com.br/indios/indios_brasileiros.htm

Um pouco de história - Os Índios

Os povos indígenas no Brasil incluem um grande número de diferentes grupos étnicos
que habitam ou habitaram o território brasileiro, e cujas raízes remontam às Américas desde  antesda chegada dos europeus a este continente, em torno de 1500.
São considerados de origem asiática pelos estudiosos e a hipótese mais aceita é que os
primeiros habitantes da América tenham vindo da Ásia e atravessado a pé o Estreito de Bering, na glaciação de 62 mil anos atrás.
Pesquisas arqueológicas em São Raimundo Nonato, no interior do Piauí, registram
indícios da presença humana datados de 48 mil anos. O primeiro inventário dos nativos
brasileiros só foi feito em 1884, pelo viajante alemão Karl Von Den Steinen, que registrou a presença de quatro grupos ou nações indígenas: tupi-guaranis (região do litoral), macro-jê ou tapuias (região do Planalto Central), aruaques (Amazônia) e caraíbas (Amazônia). Von den Steinen também assinalou quatro grupos lingüísticos: tupi, macro-jê, caribe e aruaque.
Atualmente estima-se que sejam faladas 170 línguas indígenas no Brasil.
É interessante notar que as denominaçãos mais conhecidas das várias etnias não é quase  nunca a forma como seus membros se referem a si mesmos, e sim o nome dado a ela pelos brancos ou por outras etnias, muitas vezes inimigas, que os chamavam de forma depreciativa.
Estima-se que, em 1500, existiam de 3 a 5 milhões de indígenas no Brasil. Em cinco
séculos, a população indígena reduz-se a aproximadamente 270 mil índios, o que representa 0,02% da população brasileira. São encontrados em quase todo o país, mas a concentração maior é nas regiões Norte e Centro-Oeste. Interessante que há indícios da existência de 54 grupos de índios isolados, ainda não contatados pelo homem branco.
Os povos indígenas do Brasil compreendem uma grande variedade de tribos e nações,
muitos deles com laços culturais e territórios históricos que atravessam as fronteiras políticas atuais e adentram os países vizinhos. Embora sua organização social tenha sido geralmente igualitária e baseada em tribos pequenas, semi-nômades e independentes, houve exemplos de nações super-tribais envolvendo milhares de indivíduos e ocupando extensos territórios.
Os indígenas do Brasil falavam e falam centenas de línguas diferentes, cujas origens e conexões ainda são pouco conhecidas. Sua cultura material e espiritual também é bastante diversificada, apesar de um fundo comum devido ao estilo de vida.
O primeiro contato entre índios e portugueses em 1500 foi (muito provavelmente) de muita estranheza para ambas as partes. As duas culturas eram muito diferentes e pertenciam a mundos completamente distintos. Sabemos um pouco sobre os índios que viviam naquela época graças a Carta de Pero Vaz de Caminha (escrivão da expedição de Pedro Álvares Cabral) e também aos documentos
deixados pelos padres jesuítas.
Os indígenas que habitavam o Brasil em 1500 viviam da caça, da pesca e da agricultura de milho, amendoim, feijão, abóbora, bata-doce e, principalmente, mandioca. Esta agricultura era praticada de forma bem rudimentar, pois utilizavam a técnica da coivara (derrubada de mata e
queimada para limpar o solo para o plantio).
Os índios domesticavam animais de pequeno porte como, por exemplo, porco do mato e
capivara. Não conheciam o cavalo, o boi e a galinha. Na Carta de Caminha é relatado que os índios se espantaram ao entrar em contato pela primeira vez com uma galinha. A cerâmica  também era muito utilizada para fazer potes, panelas e utensílios domésticos em geral. Penas e peles de animais serviam para fazer roupas ou enfeites para as cerimônias das tribos e o urucum  eramuito usado para fazer pinturas no corpo.
Muitas das tribos que existiam no país à época de Cabral desapareceram, quer absorvidas  na sociedade dos colonizadores, quer dizimadas pela violência a que os índios em geral foram submetidos durante os últimos quatro/cinco séculos. Nesse período, nações inteiras foram massacradas ou escravizadas, explícita ou disfarçadamente, ou morreram de doenças e fome depois que suas terras foram tomadas e seus meios de sobrevivência foram destruídos.
A catequização por missionários europeus levou ao desaparecimento de suas crenças
religiosas e outras tradições culturais; e a realocação forçada provocou enorme mistura de povos.
Muitas das comunidades indígenas de hoje, que ainda sobrevivem, enfrentam miséria, doenças, descaso das autoridades, possuem membros alcóolatras e adictos (drogas); e sofrem discriminação pelo resto da sociedade.
Há grande diversidade cultural entre os povos indígenas no Brasil, mas há várias
características em comuns: a habitação coletiva, com as casas dispostas em relação a um espaço cerimonial que pode ser no centro ou não; a vida cerimonial é a base da cultura de cada grupo, com as festas que reúnem pessoas de outras aldeias, os ritos de passagem dos adolescentes de ambos os sexos, os rituais de cura e outros; a arte faz parte da vida diária, e é encontrada nos potes, nas redes e esteiras, nos bancos
para homens e mulheres, e na pintura corporal, sempre presente nos homens; a educação das crianças se faz por todos os habitantes da aldeia, desde cedo aprendem a
realizar as tarefas necessárias à sobrevivência, aprendem a língua nativa e costumes, tornando-se independentes.
A definição de áreas de proteção às comunidades indígenas foram lideradas por Orlando Villas Bôas que em 1941 lançou a expedição chamada Roncador-Xingu. Em 1961 foi criada a  primeira reserva, o Parque Indígena do Xingu com forte atuação de Villas Bôas, seus irmãos Leonardo, Cláudio, Marechal Rondon, Darcy Ribeiro, entre outros, para que a natureza, os povos nativos da região, suas culturas e costumes fossem preservados e perpetuados ao longo das gerações.
O modelo de criação das reservas indígenas mostrou-se como um dos únicos meios para
que a cultura, os povos pré-coloniais remanescentes e mesmo a natureza sejam preservados nessas reservas. Em 1967 foi criada a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), que passou a definir políticas de proteção às comunidades indígenas brasileiras.
A demarcação de reservas indígenas é muitas vezes cercada de críticas favoráveis e
desfavoráveis por vários setores da mídia e pela população afetada. O modelo das reservas  indígenas demarcadas pela FUNAI difere no modelo norte-americano onde as terras passam a  pertencera povos indígenas. No Brasil as reservas indígenas demarcadas pela FUNAI pertencem ao governo brasileiro para usufruto vitalício dos índios, não havendo portanto como associá-las a uma perda de soberania.
Os índios são uma das matrizes formadoras do povo brasileiro e devido às miscigenações
ocorridas após o contato com os brancos portugueses, geraram descendentes mestiços, os mamelucos (branco com indígena) e, em menores proporções, os cafuzos (negro com indígena) que serviram como base para a distribuição dos genes iindígenas na população brasileira.


Bibliografia

PRANDI, Reginaldo. Encantaria Brasileira, 2004. 1º ed. Rio de Janeiro: Pallas.
ASSUNÇÃO, Luiz. O reino dos mestres: a tradição da jurema na umbanda nordestina, 2006. Rio de Janeiro: Pallas.
OLIVEIRA, José Henrique Motta de. Das Macumbas à Umbanda: uma análise histórica da construção de uma religião brasileira, 2008. 1º ed. Limeira, SP: Editora do Conhecimento.
RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil, 2005. 2º ed. São Paulo: Companhia das Letras.
http://www.xamanismo.com.br/Teia/SubTeia1192186946
http://pt.wikipedia.org/wiki/Povos_ind%C3%ADgenas_do_Brasil
http://www.tg3.com.br/indios/indios_brasileiros.htm



Matrizes da Umbanda - A colonização do ‘Brasil’ e a introdução dos Jesuítas


Quando os portugueses aportaram nas terras da recém-descoberta América, a primeira
providência que se tomou foi a realização de uma missa! E assim se procedia em qualquer lugar
em que os portugueses colocavam seus pés naquelas terras que futuramente formariam o Brasil.
Portugal era um reino extremamente católico, assim como a Espanha, cujas terras eram
onde o poder Eclesiástico Romano tinha mais força e influência, destacando-se principalmente a
influência dos membros da Ordem dos Jesuítas. Onde quer que as caravelas portuguesas fossem,
subiam a bordo os padres jesuítas para levar a pregação do Evangelho e fazer a conversão dos
nativos das longínquas terras do além-mar do Império Português.
Como os negros não eram considerados seres 'portadores de almas', à época do
Descobrimento da América (pelo menos para maior parte do Clero Católico), não houve
influência forte dos Jesuítas na África e toda força religiosa se concentrou nas tribos indígenas
das terras americanas, sejam espanholas ou portuguesas. Os Jesuítas vinham com a intenção de
trazer aos indígenas o espírito de Cristo (segundo o Catolicismo) e fazer com que mudassem suas
vidas para um estilo nos padrões europeus, considerado por eles como civilizado.
A Europa vivia um momento conturbado em que a Reforma Protestante evoluía e se
inseria nos reinos e alugares da Europa, e o Catolicismo, em represália, colocava em prática, de
modo agressivo e como represália, o Tribunal da Inquisição, junto ao incentivo dos Jesuítas na
conquista de novos membros para a Igreja através da conversão na América.
Os Jesuítas adentravam as selvas americanas e procuravam pelas tribos nas
desconhecidas matas brasileiras e o resultado foi uma verdadeira mortandade de padres pelos
indígenas; mas muitos deles obtiveram sucesso e conquistaram a simpatia de diversas tribos tupis
e guaranis dos rincões da América.
Onde os padres conseguiam adesão dos indígenas ao catolicismo, formavam-se
verdadeiros Fortes em que o estilo de vida mudava completamente: os nativos passavam a viver
da agricultura nos padrões europeus, as guerras entre rivais de certo modo cessavam, aprendia-se
o português como língua franca e todos abraçavam o símbolo da Cruz de Cristo.
Em tese, os índios convertidos não poderiam ser escravizados, pois se tornavam cristãos e
civilizados, porém o que mais acontecia era que os Jesuítas de certo modo ‘domesticavam’ os
índios ao modo de vida dos colonizadores e os utilizavam como mão de obra sem remuneração
nas lavouras e trabalhos braçais da Colônia e nos momentos de falta de mão de obra africana,
eram retirados dos fortes e simplesmente transformados em escravos.
Como resultado desse processo, muitas tribos indígenas no Brasil foram
descaracterizadas e mudaram suas tradições tribais, esquecendo-se inclusive de suas próprias
línguas e religiosidade ancestral.
Quando os Jesuítas foram expulsos do Brasil em 1759, por ordem do administrador
português Marquês de Pombal, os índios ficaram à mercê do poderio do Reino Português e
grande parte deles, já sem conseguirem mais voltar ao estilo de vida anterior, foram praticamente
submetidos à escravidão ou dizimados.
Historicamente, o resultado de toda a obra dos Jesuítas de 1500 até 1759 foi conseguir
levar a língua portuguesa para o interior do Brasil, promover a catequização de muitos índios e
colocar os nativos em contato com o homem branco, gerando descendentes mestiços nas terras
brasileiras: os mamelucos (filhos de índias com brancos), uma das matrizes formadoras do povo
brasileiro atual.
Disso resultou certo sincretismo nas populações rurais do Brasil, que praticavam e ainda
praticam um catolicismo muito arraigado com práticas religiosas indígenas. E mais, além do
catolicismo fazer sua vez junto às populações rurais, teve e continua tendo grande influência no
contexto político e social do Brasil.
E não foi somente entre as populações rurais descendentes dos antigos nativos que o
catolicismo se fez forte e presente. Os negros também sofreram muita influência do catolicismo e
reinterpretaram os Santos Católicos como sua Divindades ancestrais africanas, ou seja,
camuflavam o verdadeiro sentido das imagens católicas como fundamentos de seus Orixás e o
mais incrível foi a grande correspondência entre os Santos e os Orixás nos mais diversos lugares
do Brasil.
Muitas Candomblés ainda iniciam seus filhos com obrigações do tipo: assistir a 7 missas,
fazer a Primeira Eucaristia etc. Isso vale também para praticantes de outras denominações
religiosas de matriz Afro, como a própria Umbanda.
Mesmo que a população saiba que o Brasil é um Estado laico, ou seja, não tem nenhuma
religião oficial, o Vaticano e seus Bispos representantes têm grande influência sobre as decisões,tais como o uso da camisinha, o aborto, estupro, código penal e demais campos, sejam essas
influências políticas ou socio-culturais.
Percebe-se presença marcante do Catolicismo na população em relação ao calendário:
quantas datas e festas católicas são dia de feriado oficial no Brasil? São várias datas que marcam
início de períodos, datas de festas ou até de abstinências como na Quaresma. Perceba: quantas
datas de feriado oficial há para os evangélicos? O dia da Bíblia, por exemplo, não é feriado. E
sabe-se muito bem a importância da Bíblia aos evangélicos (e também aos próprios católicos). E
quanto às comemorações da Umbanda, existe algum reconhecimento pelas autoridades para um
segmento religioso tão grande no Brasil? Muito pouco...
Isso acontece em grande parte porque diversos frequentadores e praticantes do
espiritismo Kardecista, do Candomblé e da Umbanda consideram-se 'católicos' e nesta religião
fazem seus batismos, missas pelos mortos, casamentos e festas religiosas. Mesmo que não
acreditem nos seus dogmas, juram que são católicos e consideram o catolicismo a ‘grande
verdade’ e os demais cultos são adendos a ela. Com isso o censo fica distorcido e as religiões
‘menores’ ficam sem representatividade num país multirreligioso como o Brasil. Quando a
imprensa anuncia algumas decisões do Papa no Vaticano, automaticamente as organizações e os
agrupamentos políticos se manifestam em relação a isso, aprovando ou desaprovando a medida.
Problema é o descaso que se percebe da sociedade e dos políticos em relação a outras
denominações religiosas, sejam Kardecista, Candomblecistas, Muçulmanos ou outros, e o
descaso que os próprios praticantes das religiões de matriz Afro fazem de si mesmos, mas isso é
outra história...




Bibliografia
VICENTINO, Claudio. História Geral, 1993. 3º ed. São Paulo: Editora Scipione.
KHATLAB, Roberto. As Igrejas Orientais Católicas e Ortodoxas: tradições vivas, 1997. 1º ed. São Paulo: AM
Edições.
KOSHIBA, Luiz; PEREIRA, Denise M Frayze. História do Brasil, 1994. 6º ed. São Paulo: Atual Editora.
LETERRRE, A. A vida oculta e mística de Jesus: As chaves secretas do cristianismo, 2004. São Paulo: Madras
Editora.
BORG, Marcus J; CROSSAN, John Dominic. Trad. Vera Ribeiro. O Primeiro Natal, 2008. Rio de Janeiro: Editora
Nova Fronteira.
CROSSAN, John Dominic. Trad. André Cardoso. O Jesus Histórico: a vida de um camponês judeu do mediterrâneo,
1994. Rio de Janeiro: Imago Editora Ltda.
CROSSAN, John Dominic. Trad. Nadia Lamas. Quem matou Jesus? As raízes do Anti-Semitismo na História
Evangélica da morte de Jesus, 1995. Rio de Janeiro: Imago Editora.
CROSSAN, John Dominic. Trad. Julio Castañon Guimarães. Jesus: uma biografia revolucionária, 1995. Rio de
Janeiro: Imago Editora.
EHRMAN, Bart D. Trad. Alexandre Martins. Quem escreveu a Bíblia? Rio de Janeiro: Agir, 2013.
EHRMAN, Bart D. Trad. Alexandre Martins. Quem Jesus foi? Quem Jesus não foi? Rio de Janeiro: Ediouro
Publicações, 2010.
EHRMAN, Bart D. Trad. Anthony Cleaver. Jesus Existiu ou Não? Rio de Janeiro: Agir, 2014.
EHRMAN, Bart D. Trad. Celina Falck-Cook. Pedro, Paulo e Maria Madalena. Rio de Janeiro: Record, 2008.
EHRMAN, Bart D. Trad. Eliziane Andrade Paiva. Evangelhos Perdidos. Rio de Janeiro: Record, 2012.