sexta-feira, 29 de maio de 2020

Um pouco de história - Os Índios

Os povos indígenas no Brasil incluem um grande número de diferentes grupos étnicos
que habitam ou habitaram o território brasileiro, e cujas raízes remontam às Américas desde  antesda chegada dos europeus a este continente, em torno de 1500.
São considerados de origem asiática pelos estudiosos e a hipótese mais aceita é que os
primeiros habitantes da América tenham vindo da Ásia e atravessado a pé o Estreito de Bering, na glaciação de 62 mil anos atrás.
Pesquisas arqueológicas em São Raimundo Nonato, no interior do Piauí, registram
indícios da presença humana datados de 48 mil anos. O primeiro inventário dos nativos
brasileiros só foi feito em 1884, pelo viajante alemão Karl Von Den Steinen, que registrou a presença de quatro grupos ou nações indígenas: tupi-guaranis (região do litoral), macro-jê ou tapuias (região do Planalto Central), aruaques (Amazônia) e caraíbas (Amazônia). Von den Steinen também assinalou quatro grupos lingüísticos: tupi, macro-jê, caribe e aruaque.
Atualmente estima-se que sejam faladas 170 línguas indígenas no Brasil.
É interessante notar que as denominaçãos mais conhecidas das várias etnias não é quase  nunca a forma como seus membros se referem a si mesmos, e sim o nome dado a ela pelos brancos ou por outras etnias, muitas vezes inimigas, que os chamavam de forma depreciativa.
Estima-se que, em 1500, existiam de 3 a 5 milhões de indígenas no Brasil. Em cinco
séculos, a população indígena reduz-se a aproximadamente 270 mil índios, o que representa 0,02% da população brasileira. São encontrados em quase todo o país, mas a concentração maior é nas regiões Norte e Centro-Oeste. Interessante que há indícios da existência de 54 grupos de índios isolados, ainda não contatados pelo homem branco.
Os povos indígenas do Brasil compreendem uma grande variedade de tribos e nações,
muitos deles com laços culturais e territórios históricos que atravessam as fronteiras políticas atuais e adentram os países vizinhos. Embora sua organização social tenha sido geralmente igualitária e baseada em tribos pequenas, semi-nômades e independentes, houve exemplos de nações super-tribais envolvendo milhares de indivíduos e ocupando extensos territórios.
Os indígenas do Brasil falavam e falam centenas de línguas diferentes, cujas origens e conexões ainda são pouco conhecidas. Sua cultura material e espiritual também é bastante diversificada, apesar de um fundo comum devido ao estilo de vida.
O primeiro contato entre índios e portugueses em 1500 foi (muito provavelmente) de muita estranheza para ambas as partes. As duas culturas eram muito diferentes e pertenciam a mundos completamente distintos. Sabemos um pouco sobre os índios que viviam naquela época graças a Carta de Pero Vaz de Caminha (escrivão da expedição de Pedro Álvares Cabral) e também aos documentos
deixados pelos padres jesuítas.
Os indígenas que habitavam o Brasil em 1500 viviam da caça, da pesca e da agricultura de milho, amendoim, feijão, abóbora, bata-doce e, principalmente, mandioca. Esta agricultura era praticada de forma bem rudimentar, pois utilizavam a técnica da coivara (derrubada de mata e
queimada para limpar o solo para o plantio).
Os índios domesticavam animais de pequeno porte como, por exemplo, porco do mato e
capivara. Não conheciam o cavalo, o boi e a galinha. Na Carta de Caminha é relatado que os índios se espantaram ao entrar em contato pela primeira vez com uma galinha. A cerâmica  também era muito utilizada para fazer potes, panelas e utensílios domésticos em geral. Penas e peles de animais serviam para fazer roupas ou enfeites para as cerimônias das tribos e o urucum  eramuito usado para fazer pinturas no corpo.
Muitas das tribos que existiam no país à época de Cabral desapareceram, quer absorvidas  na sociedade dos colonizadores, quer dizimadas pela violência a que os índios em geral foram submetidos durante os últimos quatro/cinco séculos. Nesse período, nações inteiras foram massacradas ou escravizadas, explícita ou disfarçadamente, ou morreram de doenças e fome depois que suas terras foram tomadas e seus meios de sobrevivência foram destruídos.
A catequização por missionários europeus levou ao desaparecimento de suas crenças
religiosas e outras tradições culturais; e a realocação forçada provocou enorme mistura de povos.
Muitas das comunidades indígenas de hoje, que ainda sobrevivem, enfrentam miséria, doenças, descaso das autoridades, possuem membros alcóolatras e adictos (drogas); e sofrem discriminação pelo resto da sociedade.
Há grande diversidade cultural entre os povos indígenas no Brasil, mas há várias
características em comuns: a habitação coletiva, com as casas dispostas em relação a um espaço cerimonial que pode ser no centro ou não; a vida cerimonial é a base da cultura de cada grupo, com as festas que reúnem pessoas de outras aldeias, os ritos de passagem dos adolescentes de ambos os sexos, os rituais de cura e outros; a arte faz parte da vida diária, e é encontrada nos potes, nas redes e esteiras, nos bancos
para homens e mulheres, e na pintura corporal, sempre presente nos homens; a educação das crianças se faz por todos os habitantes da aldeia, desde cedo aprendem a
realizar as tarefas necessárias à sobrevivência, aprendem a língua nativa e costumes, tornando-se independentes.
A definição de áreas de proteção às comunidades indígenas foram lideradas por Orlando Villas Bôas que em 1941 lançou a expedição chamada Roncador-Xingu. Em 1961 foi criada a  primeira reserva, o Parque Indígena do Xingu com forte atuação de Villas Bôas, seus irmãos Leonardo, Cláudio, Marechal Rondon, Darcy Ribeiro, entre outros, para que a natureza, os povos nativos da região, suas culturas e costumes fossem preservados e perpetuados ao longo das gerações.
O modelo de criação das reservas indígenas mostrou-se como um dos únicos meios para
que a cultura, os povos pré-coloniais remanescentes e mesmo a natureza sejam preservados nessas reservas. Em 1967 foi criada a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), que passou a definir políticas de proteção às comunidades indígenas brasileiras.
A demarcação de reservas indígenas é muitas vezes cercada de críticas favoráveis e
desfavoráveis por vários setores da mídia e pela população afetada. O modelo das reservas  indígenas demarcadas pela FUNAI difere no modelo norte-americano onde as terras passam a  pertencera povos indígenas. No Brasil as reservas indígenas demarcadas pela FUNAI pertencem ao governo brasileiro para usufruto vitalício dos índios, não havendo portanto como associá-las a uma perda de soberania.
Os índios são uma das matrizes formadoras do povo brasileiro e devido às miscigenações
ocorridas após o contato com os brancos portugueses, geraram descendentes mestiços, os mamelucos (branco com indígena) e, em menores proporções, os cafuzos (negro com indígena) que serviram como base para a distribuição dos genes iindígenas na população brasileira.


Bibliografia

PRANDI, Reginaldo. Encantaria Brasileira, 2004. 1º ed. Rio de Janeiro: Pallas.
ASSUNÇÃO, Luiz. O reino dos mestres: a tradição da jurema na umbanda nordestina, 2006. Rio de Janeiro: Pallas.
OLIVEIRA, José Henrique Motta de. Das Macumbas à Umbanda: uma análise histórica da construção de uma religião brasileira, 2008. 1º ed. Limeira, SP: Editora do Conhecimento.
RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil, 2005. 2º ed. São Paulo: Companhia das Letras.
http://www.xamanismo.com.br/Teia/SubTeia1192186946
http://pt.wikipedia.org/wiki/Povos_ind%C3%ADgenas_do_Brasil
http://www.tg3.com.br/indios/indios_brasileiros.htm



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