Religião que tem por base a anima (alma) da Natureza, portanto, chamada de anímica, foi desenvolvida no Brasil através do conhecimento original dos sacerdotes africanos que foram trazidos da África para o Brasil, juntamente com seus Orixás/Inquices/Voduns, sua cultura, e seus idiomas, entre aproximadamente 1530 e 1888 (Abolição).
Embora confinado originalmente à população de negros escravizados, proibido pela Igreja Católica, e criminalizado em Lei por alguns governos, os candomblés prosperaram e expandiram consideravelmente desde o fim da escravatura.
O Candomblé, ou “Candomblés (Cultos de Nação), não devem ser confundidos com Umbanda, “Macumba”, Omolokô ou outras religiões de matriz Afro-Brasileiras; tampouco se deve acreditar que as religiões Afro-Americanas (em outros países do Novo Mundo, como o Vodu haitiano, a Santeria cubana e o Obeah em Trinidade e Tobago) sejam a mesma coisa, pois cada uma foi desenvolvida independentemente do Candomblé do Brasil.
Candomblé, em verdade, é um designativo para diversos cultos intitulados Nações em que há o culto de grupos de divindades chamados de Orixás, Inquices e/ou Voduns. São de origem totêmica e familiar, praticadas principalmente no Brasil pelo chamado povo do santo, mas também em outros países como Uruguai, Argentina, Venezuela, Cuba, Haiti, Colômbia, Panamá, México, Alemanha, Itália, Portugal e Espanha.
Em torno de três séculos de escravidão, um contingente de aproximadamente 5 milhões de negros aportaram forçadamente nas terras brasileiras para trabalhar como escravos. Eram dos mais diversos lugares do continente africano e pertenciam majoritariamente a dois grandes grupos étnicos: Sudaneses (vindos da Costa do Ouro ou Costa dos Escravos) e Bantos (vindos da Costa da Angola):
Sudaneses 🡺 Englobam os grupos originários da África Ocidental e que viveram em territórios hoje denominados Nigéria, Benin (antigo Daomé) e Togo. Formados basicamente pelos:
nagôs - subdivididos em Queto, Ijexá, Egbá e outros;
jejes - subdivididos em Marin, Fon e outros;
fanti-ashanti - povos da antiga Costa do Ouro, na África, atual República do Gana.
povos islamizados - entre eles os Haussás, Tapas, Peuls e Mandingas.
Bantos 🡺 Descendentes de um grupo etnolingüístico que se espalhou desde a atual região dos Camarões em direção ao sul, atingindo tanto o litoral oeste quanto o leste da África. As diferentes nações Bantu têm muitos aspectos étnico-culturais, linguísticos e genéticos em comum, apesar da grande área pela qual se espalharam e suas particularidades. Os Bantos trazidos para o Brasil vieram das regiões que atualmente são os países de Angola, República do Congo, República Democrática do Congo, Moçambique e, em menor escala, Tanzânia. Pertenciam a grupos étnicos que os traficantes dividiam em: Cassanjes, Benguelas, Cabindas, Dembos, Rebolo, Angicos, Macuas, Quiloas, Angolas, Congos etc. Constituíram a maior parte dos escravos levados para o Rio de Janeiro, Minas Gerais e para a zona da mata do Nordeste (próximo ao litoral). O Deus principal dos negros Bantos era chamado na região de Angola de Zambi e na região do Congo de Zambiapungo. Eram cultuadores das divindades chamadas de Inquices nas suas regiões de origem na África, porém foram bombardeados pela cultura Iorubá já no Brasil, sincretizando e incorporando as divindades Orixás ao seu culto.
Os Sudaneses foram os grupos predominantes no século XIX, época em que as condições urbanas e sociais de perseguição diminuíram bastante em relação aos períodos anteriores, no qual os bantos foram majoritários. Por causa dessa situação, a estrutura religiosa desses povos, que falavam o idioma Iorubá, forneceu os recursos para os Candomblés se estruturarem e, depois, surgiram basicamente duas grandes estruturas de ritos que serviram posteriormente de modelo a quase todos os Candomblés: rito jeje-nagô e rito angola.
Rito Jeje-Nagô Nagôs 🡺 Keto – Ijexá
Jeje 🡺 Efon – Marrin
Rito Angola Angola – Congo – Muxicongo
Desta forma, surgiram vários tipos de Candomblés nas terras brasileiras e os focos irradiadores dos cultos organizados foram a Bahia e, em menor escala, Pernambuco e Maranhão. Na Bahia e em Pernambuco, os nagôs foram os que marcaram maior presença e assim assumiram a religiosidade local, mas tinham igualdade de condições com os jejes no Maranhão. De Pernambuco o Candomblé se difundiu pelo Nordeste, em especial a área mais próxima ao litoral; do Maranhão migrou para o Pará e região amazônica; da Bahia os Candomblés foram até o centro sul do território brasileiro, em Minas Gerais, Rio de Janeiro e depois São Paulo e Rio Grande do Sul. Nestas regiões, mais ao sul do país, os cultos bantos predominavam, mas não eram tão bem organizados, logo tiveram modificações com a introdução dos conceitos nagôs.
Interessante observar que a cultura Iorubá se sobressaiu e acabou absorvendo as outras culturas negras e estilos religiosos, passando assim a língua Iorubá a ser utilizada por quase todos os praticantes dos Candomblés do Brasil.
Outro fator fundamental foi o sincretismo religioso, em que os Orixás africanos foram assimilados um a um aos santos católicos, criando toda uma estrutura em que, raras exceções, se reconhecem as assimilações em quase todo o território nacional com as mesmas correspondências Santos/Orixás.
A família de Santo é a forma de organização que estruturou os primeiros terreiros de Candomblé e criou uma forte identificação entre os negros, haja vista a família negra (de sangue) não ter condições de se manter unida, em sua maioria, por causa da escravidão, em que os Senhores vendiam e separavam os membros consanguíneos.
A irmandade do terreiro criava laços fortes entre seus membros e com o tempo deixou de agregar somente escravos africanos e passou a aceitar mestiços, crioulos (não interpretar como termo pejorativo aqui, pois era como os negros nascidos no Brasil eram chamados) e depois até os brancos pobres.
Para se integrar ao Candomblé a pessoa devia e deve passar pelos rituais de Iniciação, que requer uma série de preceitos para assimilação do Orixá de Cabeça, é a Feitura.
Na maioria das vezes, o filho recebe um novo nome e passa a ser reconhecido como herdeiro legítimo de uma tradição milenar, cujos segredos vai aprendendo conforme passa por novos rituais, cada vez mais complexos de contato com o Divino.
Um fato interessante é a chamada “Nação Jeje”, cujo rito é hoje o Candomblé formado pelos povos Fons (vindos da região de Dahomey) e pelos povos Mahins. Nunca existiu uma “Nação Jeje” na África! Jeje era o nome dado de forma pejorativa pelos yorubás para as pessoas que habitavam o seu leste geográfico, considerados para eles inferiores.
O Candomblé cultua, entre todas as nações, umas cinquenta das centenas divindades existentes na África. Na maioria dos terreiros das grandes cidades, o número de divindades cultuadas decai mais ainda. Devemos lembrar que existem três grupos de divindades migradas da África e hoje cultuadas nos Candomblés:
Orixás – Iorubás
Inquices – Angola
Voduns – Jejes
O que acontece é que algumas divindades têm "qualidades", que podem ser cultuadas como um diferente Orixá/Inquice/Vodun em um ou outro terreiro. Então, a lista de divindades das diferentes nações é grande. Muitos Orixás do Ketu podem ser "identificados" com os Voduns do Jejé e Inquices dos Bantu em suas características, mas na realidade não são os mesmos; seus cultos, rituais e toques são totalmente diferentes.
Espero ter conseguido transmitir um pouco de esclarecimentos sobre a herança religiosa africana, porém muito ainda será postado.
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