A Umbanda, como de conhecimento geral, possui grande diversidade de formas doutrinárias e ritualísticas. Isso significa que Cada Terreiro "toca" da sua forma, conforme podemos verificar ao visitarmos um bom número de Casas. Alguns mudam bastante seu jeito de tocar o culto, quando comparados, já entre outros as mudanças são singelas e quase imperceptíveis, muitas vezes.
Por outro lado, percebemos que existe (sim!) uma raiz básica e fundamental para realização do ato religioso, seja onde quer que encontremos uma Gira de Umbanda, e este é o foco deste texto. Bem, caso os caros leitores não conheçam o termo "Gira", ele se refere ao Culto Umbandista - aos procedimentos ritualísticos de abertura, preparação, firmeza de forças e poderes, orações e cantos (os chamados 'Pontos Cantados').
As ritualísticas que colocarei aqui aos leitores são as de práticas unânimes entre as Casas, salvo um caso ou outro.
Escreverei neste texto apenas os atos, sem explicá-los, pois cada qual será abordado em publicação posterior neste blog.
E, como de praxe, fica aqui avisado que não cabe a ninguém julgar o culto alheio, ou se encher de maledicências sobre, propondo tolices sem qualquer conhecimento de causa, apenas porque a Gira de outrem possa ser supostamente diferente daquela por si conhecida ou costumeira.
- Preceito do Corpo Mediúnico - são as preparações dos médiuns, tabaqueiros (ogãs) e sacerdotes antes da chegada ao terreiro, ou realizadas no próprio local e antes do início da Gira. São elas: Banho de Ervas (ou de Defesa); Firmeza de Anjo de Guarda; Firmeza da Esquerda (ou de Exu); abstinência de sexo, comidas pesadas e álcool.
- Padê e Saudação a Exu - ato de se oferendar ritualísticamente a Esquerda da Casa, pedindo proteção aos trabalhos. O responsável faz a Comida de Exu e Pombagira (Padê) para ser entregue na Tronqueira do Terreiro (Casa de Exu) antes do início dos trabalhos, também com firmeza de velas e, muitas vezes, se oferecendo as bebidas alcoólicas. É de praxe, após entregar o Padê, se pré-iniciar a Gira cantando e saudando a Esquerda publicamente e, aí sim, se tem o início de quaisquer outros atos.
- Defumação - defumar é queimar resinas vegetais e/ou ervas secas (e específicas) sobre carvão em brasa dentro de um turíbulo ou recipiente próprio e, assim, todo o ambiente religioso ficar envolvido pela fumaça, que é condutora de Axé Vegetal. Durante a Defumação, entoam-se Pontos Cantados e se faz (normalmente) a Defumação de dentro para fora - até a entrada do Terreiro.
- Pó de Pemba - é o ato de assoprar pó de Pemba (ralado e previamente preparado) defronte o Altar, os Atabaques, os cantos do Terreiro, nos médiuns, consulentes, etc, cuja finalidade é "quebrar o ajé" (tirar energias negativas) e proteger a Gira de ataques espirituais. Pode ser apenas com pó de Pemba ou conter mais outros pós junto (por exemplo, canela).
- Bater Cabeça - quando os médiuns, tabaqueiros e sacerdotes se curvam e se deitam de bruços sobre uma esteira em frente ao Altar do Terreiro, colocando sua testa em solo, digamos, em respeito e reverência dos Orixás e Guias regentes. Além de saudação respeitosa, representa um gesto de humildade, demonstrando que a pessoa está se colocando como instrumento de Deus; e de também receber as forças vibratórias da Casa, reequilibrando os Chacras e desbloqueando entraves energéticos.
- Oração - nunca ouvi dizer de um Terreiro que não incluísse em sua ritualística um momento (na abertura) para que todos, Corpo Mediúnico e Consulentes, juntos, fizessem uma ou mais orações. O ato simboliza a busca do autoconhecimento e conexão com Deus e o Eu-Superior. É um momento forte de introspecção e reflexão religiosa, promovendo, assim, a elevação do padrão vibratório.
- Abertura - também conhecida como 'Abertura da Jurema', é quando o(a) Sacerdote outorga a abertura dos trabalhos espirituais, significando que os transes mediúnicos tomarão corpo, as Entidades ou Guias poderão iniciar suas atividades para incorporar. Trata-se de uma espécie de "comando" em que os Guias e Médiuns podem se "fundir".
- Fechamento - se houve uma abertura, existe também um "comando" de fechamento, assim que todos os trabalhos se encerraram, as Entidades ou Guias já desincorporaram de seus Médiuns e todos apresentam-se bem dentro do Terreiro. A partir desse momento, não há mais transes mediúnicos, porém alguns Pontos Cantados representando o fechamento podem ocorrer.
Como havia colocado, esses aspectos são os que quaisquer Terreiro de Umbanda pratica. Contudo, saibam os caros leitores que, obviamente, os detalhes se alternam, os Pontos Cantados podem variar, a ordem de execução nem sempre são exatamente iguais, etc, o que se tratam apenas de especifidades de cada Casa. Obviamente, esses são ritos convergentes, unânimes, mas outros podem existir também. Há Terreiros que borrifam água de colônia nas mãos e cantos do Terreiro, Altar; outros fazem, numa bacia, um pequeno banho de pétalas de rosas, que é oferecido para que cada Médium "lave" sua Coroa Mediúnica e partes importantes do corpo (molhe as mãos e as esfregue nessas partes) e por aí vai. É como eu ouvi não me lembro quando e nem onde:
Umbanda é água
Terreiro é recipiente que molda essa água
Enquanto for água pura é Umbanda
Se a água foi contaminada não é mais.
Que Oxalá abençoe a todos!!!
E assim a macumba continua...
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