terça-feira, 23 de junho de 2020

Umbanda, uma religião só para médiuns?

Hoje, prezados leitores, trataremos sobre um novo tema: o que é ser umbandista? Será que a Umbanda surgiu apenas para as pessoas que precisam desenvolver a mediunidade e praticar a caridade? Ou é uma opção religiosa para todos, médiuns e leigos - pessoas que frequentam, os consulentes, que por diversas razões não adentram numa Casa, não "vestem o branco".
Primeiramente, precisamos entender que a Umbanda é uma religião "nova", tem pouco mais de 100 anos (baseando-se a partir da sua 'oficialização' por Zélio de Morais) e ainda não se desenvolveu plenamente na matéria. Ainda não se estabeleceu de forma respeitosa na sociedade, de forma que possa ser entendida como opção religiosa de culto a Deus, não tachada de culto demoníaco ou prática de "baixo espiritismo", magia negra. Tal fato, a 'demonizacão', é compartilhado também por outras religiões Afro-brasileiras, infelizmente.
Religiões como Islamismo ou o próprio Cristianismo sofreram também de preconceito e repugna durante muito tempo após suas fundações, até que se estabeleceram e se tornaram "o correto" nas suas determinadas terras. Não pensem, os caros leitores, que a Igreja Cristã no começo foi recebida de braços abertos pela população do Império Romano, muito pelo contrário, foi perseguida. Foram após dois, (talvez) três séculos após Jesus que a religião passou a ser predominante, aceita e sedimentar uma grande estrutura teológica. 
A religião cristã foi vista como demoníaca, ignorante e depreciativa para as pessoas. Muitos dos nossos irmãos cristãos sabem que a Igreja foi perseguida no começo, mas enchergam isso de forma fantasiosa e fora do contexto da época (salvo os que estudam mais a fundo, claro), acreditando que era "obra do demônio contra a verdade de Cristo". Não era bem isso, pois a religião predominante, a Romana (pagã) era socialmente aceita como 'verdade' e os seus fiéis apenas queriam defender o 'certo' frente a uma nova religião que 'pregava o mau'. Parece estranho, eu entendo, mas são fatos, assim foi. O mesmo sofremos nós umbandistas com os ataques contra nossa fé por parte, principalmente, de grupos cristãos, que se dizem os "donos da verdade", que devem destruir a "obra de Satã" (pra eles a Umbanda e as outras religiões Afro-brasileiras).
Bem, compreendida a abordagem, o relativismo religioso, voltemos ao nosso tema propriamente. Pensemos: só é católico aquele que se dedica à vida dentro da instituição Igreja como padre, bispo, freira, etc? Só é evangélico aquele que se torna pastor, presbítero, etc? Claro que não! Cristãos são todos aqueles que seguem o Cristianismo, sejam sacerdotes ou leigos.
O mesmo vale ao fiel da Umbanda.
Ser umbandista é ser seguidor da Umbanda! Não importa se é sacerdote, médium, tabaqueiros ou apenas um leigo. O que diferencia é apenas a opção em "vestir o branco". Isso significa que muitos fiéis optam por entrar a uma Casa e desenvolver suas faculdades mediúnicas, chegando alguns ao Sacerdócio.
Portanto, meus caros, toda aquela gente que vai ao terreiro, que canta, toma seu passe, faz o tratamento espiritual ensinado pelos Guias, é tão umbandista quanto aquela gente que "veste o branco" e trabalha numa Casa. Deixemos o preconceito ao desuso, ao sumiço e assumamos nossa identidade religiosa. É comum muita gente frequentadora da Umbanda se definir como católica, esotérica, espírita e não como umbandista. Tenhamos orgulho da Umbanda, pois é uma religião tão importante quanto qualquer outra, nem melhor nem pior, apenas do seu jeito, agregando almas e ensinando o trajeto rumo a Deus. 
Creio que devemos ter orgulho de ser umbandista, pois é uma religião bela, esplêndida e de uma riqueza quase inesgotável à nossa disposição.
Abordarei, em texto vindouro, o que é praticar Umbanda, como verdadeiro umbandista e temente a Deus.
Que Deus e nosso Pai Oxalá abençoem a todos!!! Muito obrigado!
E, assim, a macumba continua...


















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